"Imagina que, num segundo, te tiram tudo o que mais gostas. Imagina que, num segundo, te arrancam parte de ti, assim, a doer. A doer tanto como dói um corte, um golpe. Imagina que, num segundo, o mundo te cai em cima, sem tu teres tempo para reagir. Tudo isto, porque um segundo atrás magoaste alguém. Percebes que o arrependimento de nada te serve, a desilusão é já o caos, a desconfiança está instalada. Não podes enganar ninguém, já não tens margem de manobra. Sentes o peso do controlo total em cima dos ombros, não vale mexer. Respira, mas devagar. Qualquer movimento mais brusco que tenhas, sentes os outros olharem para ti, de lado. Ficas tão absorto naquilo que te está a acontecer que percebes que tens que agir. Tens que fazer alguma coisa, lutar por ti e pela tua felicidade, sem descurar os outros que também te são, e tanto.
Então, achas que a tua atitude é a melhor. Não precisas de ouvir terceiros e estás consciente da teimosia que se apodera de ti, segundo após segundo. Do nervosismo, da tristeza, da constante e impenetrável extrema necessidade de mudança. És o centro das atenções, mesmo sem quereres sê-lo. Tens a tua idade e queres a tua liberdade. Estás num espaço demasiado pequeno e não te consegues mexer. Precisas de mais. Admites que erraste, sabê-lo é já uma virtude. Mas sabes que não consegues dar mais de ti, precisas de te afastar, para quando voltares a aparecer saberes que já caíste no esquecimento de toda a gente. Pressentes que os teus problemas não são de mais ninguém, apenas teus. Vais à rua, sentes a brisa fria, o Inverno a chegar. Chega-te a vontade de ficar perto dos teus, e todos os teus pensamentos de um passado tão conquistado tornam a atitude ridícula. Voltas a pensar no presente. E percebes que, por muito que queiras, não há mais nada a fazer senão isto. É a tua felicidade que está em jogo, não mais.
Imagina que, num segundo, tens de mudar o mundo. O que é que tu fazias?"
23:58H
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
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