quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

28-1-11

"Podem passar segundos. Podem passar minutos, horas. Dias, semanas… Podem passar meses. Anos. Podem passar vidas. Eu não consigo agarrar o tempo. Não consigo senti-lo, não consigo entendê-lo ou percebê-lo. Não quero sequer. Não tenho noção nenhuma de como ele me passa entre os dedos quando estou contigo. É desta forma que nos vejo amanhã a formar a nosso futuro. É desta forma que daqui a vinte anos é já amanhã, contigo a meu lado. No entanto, consigo saborear o presente tão bem. Embora passe depressa. É nosso.
Não existem maiores virtudes ou maiores defeitos. Não existe filosofia nas coisas, nem metafísica em nós. Não existe matemática, nem política. Está longe a humanização e os problemas de que de nós surgem. Está longe a divindade de um Deus por descobrir. Está longe o erro na Bíblia, e a verdade por assumir. Não existem activistas. Ninguém defende o ambiente por nobres causas. Não há revoluções, ninguém quer saber o que significam. Não existem invenções nas nossas cabeças. Não há o frio nem o quente. Não há um meio-termo. Não há evolução. O mundo é perfeito como está, sem termos que pensar nele de outras perspectivas. Sem sermos obrigados a vê-lo como a geometria descritiva nos vê. Nós somos formas simples que se desenham num amor ainda mais simples. Sem sabedoria. Nós somos o conjunto no qual se resume o perfeccionismo de um homem quando ama. Toda a perfeição (que falam não existir) encontra-se apenas na simplicidade das coisas. Somos diferentes sem analogismos.
Não há analepses nem prolepses que nos façam recuar ou avançar num tempo que talvez seja o nosso. A verdade é que a forma simplista da vida se encontra num presente cheio de “fogos” (que ardem sem se ver”). Ou será que são esses “fogos” que vão ao encontro da vida simplista?
É tão bom não ter dúvidas quando se tem um ponto de interrogação. É tão bom, pela primeira vez, não saber responder. O que é a moral e a ética? A formal boa educação? O quê? Cultura? Não, se te tenho.
Pergunta-me… Pergunta-me se ainda tenho o sabor da tua língua na minha boca… Se sinto o calor do teu corpo a arder no meu… Pergunta-me… Pergunta-me se ainda sinto a tua mão na minha anca… Os teus lábios no meu peito. A tua voz no meu ouvido. Pergunta… Eu saberei responder da forma mais simplista à qual me ensinaste, com fealdade, a ser. À mais pura forma. Saberei ser corajosa. E dir-te-ei, enquanto o meu coração parece explodir, à medida que sinto os meus vasos sanguíneos a pulsar e pressinto a vasodilatação de coisas complicadas: Amo-te. "

02:09