“Encontro-me sozinha, no meu quarto. A luz do computador a iluminar os centímetros mais próximos. O cansaço apodera-se de mim. Ainda consigo ouvir o “pi” da caixa a registar os produtos que vou passando, a minha cabeça está cheia de um dia de trabalho pesado.
Perdão, encontro-me aparentemente sozinha, no meu quarto. Já é tarde. A minha irmã foi sair, o resto da família está a dormir. Consigo ouvir um “gri, gri” irritante. Não consigo perceber se está dentro ou fora do meu quarto. Mas estou fisicamente esgotada, não consigo sequer ter medo para me levantar e tentar perceber melhor de onde vem este estranho barulho. Continuo aparentemente sozinha, no meu quarto. Estou embrulhada em pensamentos que se contorcem uns nos outros. Deslindo-os com todo o prazer, sendo tu a única imagem que deles retiro. Esta noite não é nossa. Estás a quilómetros de mim, e fazer-te assunto meu, hoje, não me é permitido. Estar atrás de uma caixa de supermercado oito horas por dia tem, de facto, um aspecto positivo: faz-me não pensar em ti. Estás tão longe, todos estes dias, podia achá-los uma verdadeira eternidade. Não consigo dizer para mim própria “está quase”. Um dia sem ti só Deus sabe como me custa. És a minha aparente companhia, todas as noites. Sinto o calor quente de uma noite fechada, escura, vazia, como esta… Uma noite que não me leva a ti, que não te traz até mim. Esta noite que tanto odeio. Como tenho odiado todas ultimamente… E como sei que vou odiar mais algumas. Consigo sentir o teu perfume, haja alguma coisa positiva que esta brisa quente traz. Não me permite ir mais além.
Hoje, é o primeiro dia em que não consigo sentir o teu toque. A saudade… Deixa-me totalmente nostálgica, está a dar comigo em doida! Só te peço para vires rápido… Para me poder perder de novo nos teus braços. Para te sentir de novo, aqui, comigo. Não aguento esta aparente solidão.
Amo-te.”
23:48H
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário