sexta-feira, 11 de junho de 2010

11-6-10

“Solto as minhas pulsões, num acto desesperado, agir faz de mim um ser errante que critico cada segundo. Não sei nada de mim, descobri. Comparo-me a ti e sinto-me suja. Consigo ser como todas as outras pessoas, percebo que não sou diferente. Consigo não fazer o correcto, esquecer a moral, modificar a ética. Os meus pesadelos provocam-me insónias, o meu sono provoca-me pesadelos. E no meio de tantos sonhos, percebo que tu sempre estiveste lá. A minha vida não és tu, e eu não faço parte da tua vida. Somos sonhos separados, vidas diferentes, temos intuitos errados: somos pessoas.
A tempestade está perto, os relâmpagos iluminam, a chuva cai, as nuvens escurecem o céu, e tu estás lá. A tua imagem aparece, no meio das escassas estrelas, no fundo do barulho estridente.
Já não te conheço. No entanto, mesmo sem te conhecer, consigo amar-te. O teu passado está preso às minhas raízes e tudo o que foste, um dia, eu nunca esqueci. Hoje, não sei quem és. Mas ontem, tenho a certeza, sabia descrever cada bocadinho teu. Amanhã é a maior incógnita de todas. E eu vou esperar deslindá-la, desarmando-te a ti, num confronto de sentimentos que, espero, me tragam tudo o que eu sempre quis e tudo o que eu mais quero: o teu beijo.
A esperança, a força, a vontade, o prazer, o amor, o sol, o calor, uma rosa, o vermelho, uma palavra, um número, tu: são razões para viver.”
22:30H

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