quinta-feira, 3 de junho de 2010

3-6-10

“Hoje tive o último jogo de competições oficiais da época… Jogámos em casa, a esperança era muita, a vontade também. O apito soou às 18 horas, mais coisa menos coisa. Não estava muita gente a assistir, mas a claque era, claramente, nossa. Jogámos contra o Padernense, uma equipa do Algarve. Empatámos 2-2. Saímos da primeira parte empatadas a zero. Entrámos na segunda parte a ganhar: 1-0, 2-0. Rita Latas atrasa a bola para Ana Grenha, Ana Grenha, sem confiança nenhuma, coloca a bola no meio campo (ninguém se desmarca), o Padernense recupera a bola, segue jogo, a minha defesa recua, jogada, golo. Está feito o 2-1. Jogamos a bola, muito bem, passes correctos, jogadas bonitas, finalização muito fraca. Fazemos faltas, 5 faltas. É a sexta falta, livre de 10 metros. “Vamos Grenha, é tua”, diziam elas. Estou de frente para a jogadora do Padernense que vai bater, dou três, quatro passos à frente. Fico nos três, quatro metros. Baixo o centro de gravidade. Ela vem, olha para mim, tenta intimidar-me. Faz a paradinha, chuta em força, em jeito. Por baixo das pernas. Percebo que não podia ter sofrido aquele golo. Estão todos calados e elas a festejarem o empate. Era desnecessário, foi um golo dado. Tanto pela equipa de arbitragem, como por mim. Sinto-me culpada. Faltam ainda quatro minutos, podemos lutar pelo golo da vitória. E lutámos. Falhámos muitos golos, foram quatro minutos extremamente stressantes. O Padernense está na minha área, faz um cruzamento, a Joana tira de cabeça. “Piiiiiii”. E, de repente, todos deitamos as mãos à cabeça: “PENALTY???”. O árbitro acena, aponta para o local de grande penalidade. “FILHO DA PUTA, CABRÃO, VAI ROUBAR PARA A ESTRADA”, ouve-se a bancada, exaltada, em jeito de reclamação. Nós tentamos perceber como pode ser penalty. A Joana leva o cartão amarelo. “Foda-se, e agora?”, penso eu. O árbitro que se encontra do meu lado esquerdo, fala com o outro. Dá indicações: não é penalty. “AHHH”, exclamação geral. O Padernense luta pelo penalty. Mas está decidido. O árbitro pede desculpa à Joana, admite ter visto mal, vai falar com a mesa e retira o amarelo. Mais segundo, menos segundo, soa o apito final. Um empate. Apetece-me chorar, a raiva corre-me nas veias, estou irritada. Cumprimento a equipa adversária, ainda oiço um “para o ano não fica assim” de um técnico do Padernense que me veio apertar a mão. Não gostei. Fui cumprimentar a equipa de arbitragem. Um dos árbitros dirigiu-se para mim: “Parabéns guarda-redes, excelente exibição”. Fico feliz, apesar de saber que, mesmo assim, podia ter feito melhor. Confesso que foi, sem dúvida, dos meus melhores jogos na taça nacional. Mas não foi o meu melhor jogo nesta época. Percebo que, sem a unha a estorvar-me os movimentos, consigo dar muito mais. Foi um alívio, não tive medo nenhum de sair a nenhuma bola, de defender. Não me doeu. Tive azar, muito azar neste nacional, devido ao meu problema na unha. Eu e a minha equipa, eu sei que elas precisam de mim a 100%. Tal como eu preciso delas. Foi um bom jogo, estamos de parabéns pela taça nacional que fizemos.
Agora choro. Não consigo desistir desta equipa e tenho um medo enorme que desistam de mim. Durante estes quatro anos, o que aprendi com vocês, não consigo esquecer, não quero esquecer. Foram mais do que uma equipa, foram uma família. Fomos uma família. A minha maior paixão está em vocês, vivo-a com vocês. Sinto isso todos os dias da minha vida. Fazem parte deste meu grande amor, que é o futsal. Fazem parte de mim e da minha vida, foram cruciais, e eu sou fruto de tudo aquilo que vocês me deram. Meninas, vamos viver isto que nos faz sorrir… Se um dia vos deixar, prometam-me que vocês não me deixam a mim. Se um dia vocês me deixarem, eu prometo o mesmo.
A todos os que tornaram (e vão ainda tornar) o meu sonho possível, obrigada.”
21:46H

Nenhum comentário:

Postar um comentário