“Degola-me, o mundo. Devora-me as palavras, o amor. Leva-me a saudade, o sentimento. Lava-me a alma, tu. De todos os pronomes pessoais, de todas as línguas, de todo o universo… este é o melhor que, hoje, sei usar: tu.
A subtileza, levou-ma o vento. E tu trouxeste-ma de volta. O sabor, levou-mo a mágoa. E tu trouxeste-mo de voltar. O amor, levou-mo alguém. E tu agarraste-o com toda a tua força. Trouxeste-o para mim. E, em mim, ele veio dar o melhor que sabia. Com todo o romance, com toda a paixão, com todo o fogo de quem é e de quem quer. Juro-te. E jurar é sempre tão forte. Juro-te, aqui, por nós, que abdicava de toda a minha vida, por ti. A essência, a verdadeira essência do sabor só a tem quem, ingenuamente, luta por ela. Não sou a favor do pensamento. No entanto, sou uma grande adepta da emoção. Quem, diz-me, quem pode ser feliz a pensar? Se pensarmos em tudo o que vemos, nunca fazemos o que sentimos.
Confesso, seriamente, de que não estava à tua espera agora. Mas confesso, também, que vieste e me trouxeste toda a certeza que me alimenta. E era tudo o que eu queria.
Consigo olhar a noite. Sentir a brisa quente. Ver-te por dentro, tocar-te por dentro mesmo quando estás longe, longe de mim e do meu ser. E o meu ser é tudo o que já me deste, tudo o que me dás, tudo o que me vais dar. Estamos em construção mútua, e esta é a fusão de dois corpos que sempre desejei. Que mais desejei. Em toda a minha vida. Critiquem-me a hipocrisia porque podem fazê-lo. Eu desculpo-me com a paixão. Com o amor. Com o mais irracional de mim.
Fomos duas almas perdidas. O que encontrámos hoje é o mais precioso do mundo. E isto ninguém nos pode roubar. Encontrei-te, Amor. Finalmente, encontrei-te. E, juro, não mais, não mais me fugirás.
Consigo imaginar a então brisa quente, numa noite de verão. Os dois corpos perdidos numa qualquer paisagem estendida à sombra do horizonte que se pega com o infinito. Adivinha… Somos nós. A perfeição do momento traz-me tudo o que sempre quis. O suor de dois corpos agarrados pelo calor do instante. A pele suave, escorregadia. Consigo imaginar-me agora, a mim. Toco-te, tão bem. A roupa que vou despindo, está espalhada. Agarro a tua blusa com os dentes, mordo, tiro-ta. Deixas-me louca. O amor e o prazer estão agora em nós. Passo a minha língua sobre a tua pele. O teu pescoço. Arrepias-me. Sou tua. Faz-me tua. E esta é a melhor noite de amor eterno. Acordamos, dois corpos nus, despidos de tudo, encontrando a felicidade. Olhamos o horizonte onde entra a luz a aclarar a escuridão de uma noite tão perfeita. O sol está a olhar para nós. E diz-nos… Somos o amor mais puro. Temos, em nós, tudo o que podemos ser. Vemos, em nós, todo o desenho da felicidade futurista.
Amo-te.”
22:40H
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