quarta-feira, 12 de maio de 2010

12-5-10

“Estou sem paciência. Jesus, hoje estou mesmo sem paciência. Nem a vinda papal, tão esperada pelos nossos católicos portugueses, me dá paciência. Comecei bem o dia, mas o decorrer deste não me trouxe grandes alegrias. Num primeiro plano, as três aulas que tive hoje levaram-me mais do que quatro horas e meia: senti que cada aula se arrastou durando longas e duras horas. Num segundo plano, acordei com sono! Quando o meu despertador tocou, às sete da manhã, voltei-me para o outro lado e só me apeteceu gritar bem alto: vai-te f****. Mas como sou uma pessoa bem-educada, porque, enfim, a sociedade em que me insiro sempre me ensinou a conter as minhas pulsões, ao fim de cinco minutos estava de pé a dar os bons dias à minha mãe. E, como se nada fosse, Ana Rita vai ao banho, Ana Rita vai à escola. E isto, sim, isto dava para fazer uma boa colecção de livros infantis do género “Anita vai ao campo”. Agora por isso, e já que estou sem paciência, aproveito para vos confessar a vocês, leitores, um grande segredo: eu sempre adorei a Anita. Mas mais do que a Anita, o que eu gostava mesmo era do cão da Anita que cujo nome, se não me engano, é Pantufa.
Desviando, então, as atenções da Anita, e continuando nos meus planos para vos explicar porque estou sem paciência. E chegamos, agora, ao último plano: o terceiro. Num terceiro (e último) plano, ontem mandei-te uma mensagem, lembraste? Enfim, não nos despedimos da melhor forma e não era capaz de adormecer sem te dizer qualquer coisa que considerei ser fofinha. Meus caros leitores, e agora dirijo-me a vocês: pois a resposta que obtive, além de ser quase vinte e quatro horas depois, deixou muito, mas muito a desejar.
Digam-me lá, vocês que me compreendem tão bem, tenho ou não tenho motivos para estar sem paciência? Enfim, jurei a mim mesma que, a partir de hoje, não ia fazer nada, nada para isto dar certo, muito pelo contrário! A verdade é que tenho uma pressão enorme e todos os meus amigos me dizem, me alertam, quase que me gritam para parar com isto. E é o que eu vou fazer.
Chegou a altura de seres tu a perder. Chegou a altura de ser eu a mandar. Não tens o direito de me usar para o que queres e quando queres. Não tens o direito de me foderes, quase que literalmente, e, de seguida, me virares as costas e ires-te embora. Não achas que não podes ser sempre tu a rir em último? Por mais que te ame, também tenho esse direito.
E, enfim, hoje percebi que o Amor também tem destes dias, e ainda bem que tem. Para mim, confesso-vos, foi o primeiro dia em que perdi a paciência. E gabo a paciência daqueles que nunca a perdem. Hoje, é o primeiro dia em que estou a sentir que te consigo trocar por um cigarro fumado à sombra de uma Lua Cheia. É o primeiro dia em que estou a sentir que era capaz de ir ver o pôr-do-sol sem ti. É o primeiro dia em que estou a sentir que era capaz de te perguntar, muito seriamente:
Ficas comigo? – e de, logo a seguir, te dizer: Porque se não ficares, vou procurar o meu grande amor que, tenho a certeza, anda à minha procura também.
Despreza-me. É que eu hoje, tenho a certeza, consigo fazer-te o mesmo.”
21:56

Um comentário: