“As sextas-feiras conseguem ser sempre dias horríveis. E, hoje, passou-se mais uma. Enfim, na prática só tive uma aula: psicologia. Não fiz a aula de educação física, graças a um problema técnico, nada que não se resolva com a operação de que estou à espera.
Infelizmente, hoje NÃO há Luar. Não há para mim e, confesso, muito egoisticamente, não deveria, também, haver para ti. Mas não somos almas gémeas e, no fundo, nunca fomos. Foste, sim, o meu grande amor. Grande, de facto, no seu sentido mais literal, se é que me entendes.
Enfim, prometeste-me juras de amor eterno e sabes o que acho mais absurdo? É que sempre soube, sempre senti esta efemeridade da vida que está entranhada em todas as minhas células. Existem formas de nos tornarmos eternos. Mas não é, com toda a certeza, com um grande amor. Agora, confesso-te: acho que nunca foste um bom amor. Mas foste o meu maior amor. E, acredita, serás sempre, por muito que eu não queira, assunto meu, da minha cabeça. Vais estar cá sempre e cada vez que me quiseres usar por uma mera questão de necessidade “prático-amorosa” eu vou deixar-te usar-me. Como sempre deixei. Pode ser que um dia encontre a minha alma gémea, a minha verdadeira alma gémea. E, nesse dia, tenho a certeza, vou ser capaz de te virar as costas.
Lá está, estou nostálgica outra vez. Mas tento disfarçar. Agora por nostálgica, eu adoro fazer este jogo de palavras contigo, deixando-te sempre sem saberes bem do que falo.
Ah, queres saber o que te queria dizer quarta à noite? “Estou com saudades tuas”, era o que te queria dizer. É esta sensação de saudade de um tempo vivido, constantemente idealizado e irreal, que me deixa nostálgica.
Odeio-te tanto por seres a única pessoa que me faz tão infeliz. Amo-te tanto por seres a única pessoa que já me fez tão feliz. E é este o passado que carrego comigo que, enfim, achei já esquecido. É este passado que me assombra, que faz de ti a minha grande quimera, sem eu querer. E é este passado, também, que me faz ter toda a vontade do mundo de correr atrás de um abraço teu. De correr atrás de um beijo teu. A verdade é que ninguém pode correr atrás do passado. Só pode correr dele, fugir dele. E é isso que eu, mais tarde ou mais cedo, vou fazer. Tenho a certeza.
Até lá, vou-te amando. Uns dias mais, outros dias menos. Tal como dita a minha paciência. Tal como dita a minha vontade. Tal como tu me ditas.
Hey… Posso-te pedir que hoje, apenas hoje, fiques comigo?”
22:48
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