sábado, 22 de maio de 2010

22-5-10

“10 Horas: Acordo. O sol bate-me na cara e, na alma, bate-me uma enorme boa-disposição. Olho para a frente e está lá a minha irmã. Confesso que tinha saudades de acordar com ela ali. No fundo, já tinha saudades dela. Não a cumprimentei (nem ela a mim), fiz o meu ritual de sempre: levantei-me e no meio de alguns pontapés a algumas coisas espalhadas pelo meu quarto devo ter-lhe dito “levanta-te parva”, muito secamente. Enfim, é um amor de irmãs tão incondicional que se exprime desta forma. Desci as escadas e fui dar um beijinho ao meu irmão que, por sua vez, acordou maldisposto. Penso que, no meio de um levantar tão cheio, devo ter dado os bons dias à minha mãe. Fui ao computador matar o vício e fui tomar o pequeno-almoço. Até vos contava pormenorizadamente o que comi, mas, sinceramente, não me consigo lembrar. Depois disto, a minha irmã lá desceu e foi tomar banho: “Ana Rita, despacha-te que não tenho a tua vida e não vou ficar à tua espera”. Nisto, e no meio de uma resposta que lhe dei e que já não me lembro, fui acalmar o meu irmão que estava a fazer uma mega birra. Entretanto, voltei a subir as escadas e fui preparar tudo para o jogo que ia ter horas depois.
+/- 12:30 Horas: Entro no carro da minha irmã, um calor infernal. O vidro do meu lado não abre, como sempre: “Este ar-condicionado está-me a desiludir cada vez mais”, digo eu em jeito de reclamação. “O meu carro não funciona a ar-condicionado, mas sim com correntes de ar”, repostou a minha irmã, em jeito de ironia. Depressa chegámos à da minha tia. Cumprimentámos toda a família e sentámo-nos, prontamente, à mesa. Mais minuto, menos minuto, conversa para cá, conversa para lá e, nisto, já estávamos a comer. Acabámos de comer, fomos para a sala. Neste instante em que explico a matéria de educação física à minha prima (futsal), chega o meu pai, a Sofia e o meu irmão. Vejo, então, uma cabeleira loira a vir e já sei que é ele: pequenino, desengonçado e, adivinhem: vomitado! Enjoou na viagem, o meu irmão. Sempre simpático e bem-disposto, deu-me logo um beijinho. Conversámos todos e, nisto, a minha irmã vai-se embora. Um pouco depois, vamos nós.
14:30 Horas: Estou a sair de casa da minha tia com o meu pai, a Sofia e o meu irmão. Despedimo-nos, “Uma boa semana para vocês”, beijinhos para cá, beijinhos para lá. Continua um calor enorme, lá fora. Entro no BMW, fico enjoada com o cheiro a vomito que lá está. “É provável que te cheire mal agora, aí dentro”, avisou-me a Sofia. E cheirava mesmo muito mal. Fomos até à da minha avó e lá ficou a Sofia e o meu irmão Cláudio. Fui com o meu pai até ao Juventude e já ia atrasada. A Mariana telefona-me: “Onde estás leitãozinho?”, riu-me e respondo “Estou mesmo a chegar”, “Despacha-te porque está tudo à tua espera. Só faltas tu… E a Íris, como sempre”, “Até já”, e, nisto, já a estou a ver a desligar o telemóvel à porta do Juventude. Era um facto, cheguei atrasada.
+/- 15:20 Horas: Entrámos dentro de campo. Começo a aquecer, começa-me a doer a unha. Troco os ténis, fui calçar os ténis de andebol. Rodo os braços, calcanhares ao rabo, joelhos a cima, virilhas, está feito. O meu treinador está distraído e se lhe pedir para ir beber água ele não deixa. Então, fugi, literalmente, dele que só já deu por mim quando estava sentadinha a desfrutar do que, naquele momento, me pareceu a melhor água do mundo. Uns remates à baliza, jogadas de 2 para 1, remates dos nove metros, defendo a bola com o pé direito: esperem, não consigo, está-me a doer. Parei, saí, descalcei-me.
16 Horas: Estou na baliza e a bola segue nossa. Todos os olhares no meio campo e eu ali, nos meus seis metros, conseguia saborear uma vitória “platónica”. Nem vos conto o jogo que me correu tão mal, como têm todos corrido, ultimamente. Sofri três golos e marcámos dois. E a culpa de um jogo que deveria ter sido nosso está adjacente à minha pele, pesa-me na consciência. Vão-se embora, não cumprimentam. A equipa adversária festeja. Eu e a Mariana ainda ficámos lá, meio perdidas, a tentar agradecer ao público que, desta vez, não nos valeu. Fomos tomar banho, o silêncio pesa naquelas quatro paredes marcadas pela velhice. A transpiração corre-nos pela cara, a revolta está em cada bocadinho das nossas feições. Começamos a falar, aliviamos o stress, a cólera sai de dentro de nós. Queria-me despachar e a Joana não deixava. Olhei para a minha mão coberta de espuma e pensei fazer uma maldade. Esfreguei-lhe a mão na cara e, nisto, entrou-me espuma para o olho. Numa luta de braços para ver quem chegava à água primeiro, numa tentativa de reduzir a dor, gritávamos ao mesmo tempo: “ENTROU-ME ESPUMA PARA OS OLHOS, SAI DAÍ!”. Estávamos ambas aflitas, mas fui eu que tive que esperar, visto que fui eu que provoquei a situação. Foi justo! Depressa aliviei a minha dor e depressa acabei o meu banho. Limpei-me, vesti-me, fresquinha e cheirosinha, só me faltava uma coisa: “Alguém tem um pente, uma escova, qualquer coisa que dê…?”, “Toma, mas tem cabelos” respondeu, prontamente, a Ritinha. Tirei os cabelos, penteei-me, voltei a tirar os cabelos, devolvi-lhe o pente. Vou-me embora.
+/- 18:25 Horas: Chego a casa. “Como correu o jogo?”, pergunta a minha mãe. “Perdemos”, “Pela tua disposição, vi logo que tinha sido isso”, respondeu. Fui preparar um lanche enorme e liguei o computador. O meu irmão, na sua inocência, ainda me roubou um ou outro sorriso. No meio da minha fase deprimente da tarde, comecei a pensar em ti. Percebi que tinha passado o dia todo sem me lembrar, sequer, que existias. Hoje, só pensei em ti quando estava a precisar de uns miminhos ou, talvez, de um sorriso, de uma gargalhada que me animasse. E tu sabes fazer isso tão bem… Percebi, então, que ainda não me tinhas mandado uma mensagem. Estás no teu mundo este fim-de-semana, estás como queres e como gostas. Percebo que não me digas nada, isso é óbvio. Na tua posição, com um fim-de-semana assim, eu também não diria.
20:00 Horas: “Rita, traz uma cadeira da sala e vem jantar”, “Vou já mãe”. Mais 10/15 minutos, “Ana Rita, já não te chamo mais”, “Estou a ir, mãe”. E fui. Comi frango com batatas fritas, salada de tomate e Coca-Cola. Comi até rebentar, devo dizer. Pelo menos a comida não me deprime! Agora são horas de admitir que começo a ficar com saudades tuas… São horas de admitir que começo a sentir falta de um abraço teu. E são, também, horas de te dizer que, embora tenha saudades e sinta falta de tudo isto, deixaste de ser prioridade, deixaste de ser, muito exageradamente, uma necessidade básica para mim. Começo a concentrar-me noutros eventuais romances, passageiros, devo admitir. Percebo que não posso ser só para ti, que me posso dar a alguém que me faça melhor. Percebo, também, que, por enquanto, não vou amar. Mas estou no meu direito de tentar. E, tenho a certeza, vou dar o meu melhor.
21:14 Horas: Enquanto estás aí no teu círculo de amigos, eu vou beber café com a Boxa, vamos mandar umas quantas postas de pescada para o ar, fazer um corte e costura deste e daquela, passar um serão agradável. A noite está propícia, o vento está a favor, a Lua está espelhada. E adivinha… Vejo nela, na Lua, todos os teus passos. Hoje, só hoje, controlo-te. “
21:17H

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